Após dois anos, maioria das promessas de Temer ainda não se cumpriu

Após dois anos, maioria das promessas de Temer ainda não se cumpriu
Do total de 19 promessas, o emedebista cumpriu integralmente até agora duas, não cumpriu sete e nos outros dez casos a execução foi parcial em dois anos de governo
Redação
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Completando dois anos de governo neste sábado (12), Michel Temer não cumpriu ou realizou de forma parcial a maioria das promessas que fez em seu primeiro discurso como presidente, na cerimônia em que de posse a seus ministros.

Falando por 28 minutos, Temer naquela oportunidade listou 19 propostas.

De acordo com levantamento do jornal Folha de São Paulo, deste total, o emedebista cumpriu integralmente até agora duas, não cumpriu sete e nos outros dez casos a execução foi parcial.

Para honrar integralmente uma das promessas, a redução da inflação, teve o auxílio do ritmo lento da economia no período.

Entre as que não conseguiu tirar do campo das intenções estão a redução do desemprego, o incremento da agricultura familiar, a aprovação da reforma da Previdência e a unificação e pacificação do País.

Dois anos depois de prometer ‘pacificar o País’, Temer hoje tem reprovação popular recorde, perdeu o apoio oficial do principal aliado, o PSDB, e seu campo de apoio está fragmentado, tendo pelo menos seis pré-candidatos à sua sucessão.

Outras promessas que ficaram no discurso foram a ‘busca permanente de controle e apuração de desvios’ e a ‘blindagem da Lava Jato contra tentativas de enfraquecê-la’.

Nos seus dois anos de gestão, porém, o presidente viu contra ele e ministros de seu governo suspeitas de corrupção. Temer foi alvo de duas denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República e dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

O presidente não adotou medida relevante de combate à corrupção e rompeu a tradição de escolha do mais votado pela categoria para a chefia do Ministério Público, conclui o levantamento da Folha.

Na relação com o Congresso, o emedebista começou sua gestão com uma base de apoio de mais de 300 deputados, o que lhe permitiu aprovar em 2016 a mudança na Constituição que estabeleceu o congelamento dos gastos federais. Com a eclosão do escândalo da JBS no ano seguinte, porém, sua base passou a encolher sistematicamente.

Na parte econômica, prometeu em 2016 resgatar a credibilidade do país, ampliar as privatizações, reduzir o desemprego, entre outras medidas. “Nosso maior desafio é estancar o processo de queda livre na atividade econômica.”

A economia saiu da recessão em 2017. A inflação foi reduzida à baixa recorde de 2,95%. Mas Temer não conseguiu diminuir o desemprego. E o déficit nas contas segue elevado (R$ 106 bilhões em fevereiro).

Ainda em sua fala inaugural, Temer prometeu sempre se pautar pelo “livrinho”, a Constituição Federal. Mas sua reforma trabalhista tem pontos inconstitucionais, segundo a PGR. Em outros episódios, medidas foram derrubadas pelo Supremo, como trechos de sua proposta de indulto de Natal de 2017.