Funcionários denunciam descaso da prefeitura em USF no Lobato Henrique Almeida*

Funcionários denunciam descaso da prefeitura em USF no Lobato
Henrique Almeida
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Em carta enviada à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e à prefeitura de Salvador, funcionários da Unidade de Saúde da Família (USF) São José de Baixo, no Lobato, denunciam o que, segundo eles, é um “descaso” municipal com a gestão da unidade. A falta de agentes comunitários é considerada o problema mais grave, pois, sem a possibilidade de levar os serviços aos domicílios da população, a USF desconfigura-se atuando apenas como um ambulatório.

Ainda segundo os funcionários, o “desmanche” começou há dois meses e 11 dias, após a relocação de 12 agentes comunitários (ACs) para garantir a abertura de uma nova USF em Colinas de Periperi. Com isso, serviços como vacina em domicílio, cuidados com feridas crônicas, visitas domiciliares, cadastro de novos pacientes e cadastro do programa Bolsa Família foram interrompidos.

Por meio de nota, a SMS afirma que “a USF São José de Baixo passa por um processo de transição de gestão do Distrito Sanitário do Subúrbio Ferroviário para o Itapagipe. Por conta disso, os serviços dos agentes foram temporariamente suspensos”.

A expectativa é que até a primeira semana de julho, de acordo com informações da SMS, “o processo de transição seja finalizado e 10 ACs retomarão as visitas domiciliares aos pacientes cadastrados na estratégia”.

Ainda segundo o texto do documento, o Decreto nº 24.041/2013 proíbe que esses servidores atuem em território diferente que o especificado na seleção pública. Salientamos ainda que as visitas continuam sendo feitas por técnicos de enfermagem, enfermeiros e médico”.

Reclamação

Atualmente, a unidade conta com três médicos, um técnico-administrativo, dois higienizadores, dois enfermeiros e duas equipes de estratégia de saúde da família. No entanto, a realidade para a população é outra. “Se existem três médicos, dois são alienígenas porque só vemos um”, ironiza a moradora Valda Silva Ferrais, 48 anos.

No documento, os funcionários também criticam o fato de que a única técnico-administrativa da unidade tem que atuar em várias funções, dentre elas, recepção e farmácia. Em nota, a SMS aguarda a convocação do profissional aprovado no último Reda para compor a equipe do posto.

“A menina da recepção faz tudo, mas o mais surpreendente foi quando encontrei a zeladora na recepção. Sem os atendimentos em domicílio, os idosos da região correm risco. Se formos para outras unidades, só conseguimos remédio, pois outras USF não atendem pessoas de outras regiões”, diz Maria de Lurdes Oliveira, 65 anos.

Quem também sente os efeitos da precarização é a avó de Lis Casais, 29 anos, que está há dois meses sem receber atendimento domiciliar. “Minha avó está sem receber os curativos. Mas ela não é o único caso”, sinaliza Lis.

Grávida de oito meses, Denise Milena Silva, 31 anos, revela que ficou um mês sem pré-natal por conta da falta de atendimentos. “É uma dificuldade para conseguir atendimento e, muitas vezes, falta remédio”, diz.

O órgão municipal afirmou que “apenas adequou o quantitativo de profissionais ao número de usuários cadastrados e não tem conhecimento de suspensão de atendimentos de pré-natal”.

Os nove principais pontos levantados pelos funcionários são: reorganização da composição das equipes de saúde da família da USF com retorno de agentes comunitários; retorno de, no mínimo, um técnico-administrativo; definição do distrito sanitário responsável pela unidade. “Estamos cansados de pedir desculpas e distribuir o número 156 da ouvidoria”, diz trecho da carta.

* Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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