PSC pode ficar “a ver navios” após deixar chapão

PSC pode ficar “a ver navios” após deixar chapão

Partido pode ter tomado decisão equivocada ao sair do grupo, liderado por ACM Neto na cha

 

O PSC pode ter tomado uma decisão equivocada ao decidir sair fora do grupo liderado por ACM Neto (DEM) na chapa proporcional das eleições de 2018. A legenda encontra problemas para fechar a “chapinha” com PTB, SD e PPL na proporcional para deputado estadual. Segundo informações obtidas pela Tribuna, os cristãos já esboçam preocupação com a grande possibilidade de não elegerem ninguém para cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia. Os postulantes do SD e PPL se sentiram ameaçados pela força do PSC e tomaram uma decisão: a primeira legenda vai sair coligada com o grupo apenas na chapa para a Câmara Federal; já a segunda vem registrando alto número de desistências de candidaturas nos últimos dias. “Para Federal a chapa está muito boa. O problema é a chapa para estadual”, avalia uma fonte da Tribuna.

O grupo carlista, por sua vez, comemora o imbróglio na “chapinha” aliada. No início da semana, o PSC anunciou o que foi classificado como “traição” pelos correligionários, que haviam garantido apoio ao pré-candidato ao Senado, Irmão Lázaro (PSC), caso a agremiação saísse no “chapão”. “O SD não foi para a chapa de estadual, o PTB só tem Taíssa Gama e os candidatos do PPL começam a desistir. Agora quem não quer mais esses caras somos nós”, ironiza o parlamentar ligado ao grupo democrata, que prefere não ser identificado.

Procurado pela reportagem, o presidente do SD, Luciano Araújo, justifica a decisão de não sair coligado com o grupo. “Nós vamos caminhar sozinhos porque fizemos algumas contas e vimos a viabilidade de eleição de dois deputados estaduais pelo fato de termos 28 a 29 candidatos. Se a gente for para qualquer coligação, a nossa perspectiva é de não eleger ninguém”, analisa. “Como nós já cometemos esse erro em 2016, quando faríamos quatro vereadores e só fizemos um pelo fato de coligarmos. Nós optamos, por bem, caminhar sozinhos agora. Na chapa federal, optamos por coligar pelo fato de não termos muitos candidatos e não atingirmos o coeficiente”, continua. “A linha de corte é em torno de 60 mil votos. E para estadual, quem tiver mais votos é o primeiro e quem ficar no segundo lugar também será eleito”, completa. Udurico Júnior, presidente do PPL baiano, não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso.

Heber minimiza dificuldades e reforça união do grupo

O presidente estadual do PSC, Heber Santana, minimizou os rumores de que a legenda tenha se arrependido de coligar com o “chapão” do DEM, PSDB, PV e PRB. “Na verdade, o que está acontecendo é um estímulo. Se a gente fizesse o movimento de ir para a chapa sem o PSL, PPS e PHS aí é que a gente teria dificuldades. Ficaria inviabilizada a candidatura de muitos, tanto no sentido numérico, como no sentido da expectativa de vitória”, assegura à Tribuna. Ele também afirma desconhecer a retirada de candidaturas de postulantes do PPL. “Não, tem essa situação, não. O processo de registro está correndo normalmente. Não há nenhum problema. Até porque, para estadual, o PSC tem uma chapa muito boa. A gente tinha pensamento de ter um bom resultado até se saíssemos sozinhos. A coligação foi ampliada. A gente espera eleger entre cinco e seis deputados estaduais, abrindo espaço para todos os partidos elegerem deputados”, completou.

Heber também revela quais são as pretensões dos cristãos no próximo pleito. “Só o PSC tem 38 candidatos para deputado estadual. Para federal, só o PSC tem 11 candidatos. A nossa meta da coligação é eleger três deputados”. Ele também avalia que o grupo está pacificado após o imbróglio envolvendo a escolha de Irmão Lázaro para a majoritária de Zé Ronaldo. “A campanha já está a todo vapor”, finaliza.