Assessor de vereador e amigo são mortos dentro de bar; outros dois são baleados 

Assessor de vereador e amigo são mortos dentro de bar; outros dois são baleados

Da Redação com Bruno Wendel e Vanessa Brunt*
redacao@correio24horas.com.br
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(Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

O  assessor do vereador Kiki Bispo (PTB) morreu após ser baleado, na noite de sábado (18), no bairro de Castelo Branco, em Salvador. Wellington Santos Silva, de 30 anos, chegou a ser socorrido para o Hospital Eládio Lasserre, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com informações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de Wellington outros três homens foram atingidos por disparos de arma de fogo na Rua Antônio Soares, no bairro de Castelo Branco.

Wellington era assessor do vereador Kiki Bispo 
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Eles estavam em um bar, quando apareceram quatro homens e efetuaram os disparos. Todos foram socorridos para o Hospital Eládio Lasserre, mas Wellington Santos Silva e professor de auto-escola Hilberto de Carvalho Santos, 45 anos, não resistiram.

Jacson Menezes Oliveira, 24 anos, foi submetido a uma cirurgia e Luiz Joaquim da Silva Filho, 53 anos, transferido para o Hospital do Subúrbio. Não há informações sobre o estado de saúde de Jacson e Luís.

Outra versão
Na manhã deste domingo (19), o CORREIO esteve no local do crime. No entanto, os poucos moradores que aceitaram a falar disseram apenas que o crime foi cometido por seis homens.

“Eles estavam conversando, quando os seis chegaram atirando. Foi algo muito rápido. Não sabemos o porquê de tudo isso”, declarou um dos moradores.

O CORREIO encontrou com a sobrinha de Wellington na rua onde o crime aconteceu, que não quis comentar o assunto. Ele estava em frente à casa da vítima, que estava trancada.

A autoria e a motivação do crime serão investigadas. O vereador, em contato com o CORREIO, afirmou que Wellington era seu apoiador e assessor há muito tempo e que atualmente colaborava com atividades junto à comunidade.

“Ele era uma liderança dentro de Castelo Branco e estava na frente do bar com os amigos quando aconteceu isso. Foi um fato lamentável. Ele era uma pessoa de uma cordialidade incrível, competência e responsabilidade. Sempre viveu dentro da lei e nunca aconteceu nada que demonstrasse que ele vivia fora da lei. Estamos vivendo uma percepção que estamos passando por uma guerra”, afirmou o vereador destacando que todos que foram atingidos são amigos.

Wellington será enterrado nesta segunda-feira (20) no Cemitério Bosque da Paz.

Para o vereador, o motivo do crime é um mistério. “Ninguém sabe o motivo. Wellington morava na comunidade de Dom Lucas e sempre prestou relevantes serviços, sempre sonhando em melhorar a situação do seu bairro. Tinha família constituída, uma filha adolescente. É uma perda enorme para nossa comunidade. Infelizmente estamos vivendo esse cenário de guerra na Bahia”, lamenta Kiki. Ele ainda  falou mais sobre a investigação. “Esperamos que o governo do estado não seja omisso e consiga elucidar mais esse crime bárbaro”, complementou.

Despedida

O tio de Hilberto de Caravalho Santos, que preferiu não se identificar, afirma que a família não está entendendo nada do que aconteceu. “Ele era um homem exemplar em tudo o que fazia. Era o orgulho da família. Não tinha inimigos, não havia quem não gostasse dele. Se alguém naquela mesa era alvo, duvidamos muito que fosse ele”, conta.

O tio informou, ainda, que Hilberto era próximo de Wellington, mas que a família não tem conhecimento da proximidade com as outras pessoas que foram feridas.

Danilo Marinho, 33, amigo de Hilberto, informou que ele estava com conhecidos de infância no local do acontecimento. “Não sei o grau de proximidade, mas eles se conheciam desde pequenos, todos eram do mesmo bairro e Hilberto tinha o costume de ter amigos de anos. Todas as relações na vida deles sempre duraram. Nem lembro dele brigando com alguém”, conta.

Uma prima de Hilberto, sob anonimato, afirmou que ele não estava sendo ameaçado por ninguém e ratificou o quanto era adorado por todos ao redor.

Duas amigas da família, que também não falaram os nomes, informaram que Hilberto era casado e tinha três filhos. “O menino de três anos é muito apegado e ele não pode sequer entender o motivo do pai não acordar em casa nos dias seguintes”, lamentaram.

Hilberto deixa uma filha de 20 anos, um filho adolescente, a esposa e o filho pequeno, de 3 anos.

Amparada por todos ao redor, a esposa questionava, aos prantos, para os amigos do esposo a necessidade de cometer um crime como este.

“Minha pergunta não é só o porquê, mas para quê. Não entendo, não entendo”, gritava a esposa de Hilberto.

O sepultamento do instrutor de auto-escola ocorreu às 16h de hoje (19) no Cemitério Bosque da Paz, na Estrada Velha do Aeroporto.  Mais de 250 pessoas acompanharam a cerimônia e prestaram as últimas homenagens.

De acordo com informações da 47ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) no sábado (18), por volta das 21h30, policiais militares da unidade foram acionados pelo Cicom para atender a uma ocorrência de tiroteio na rua Antônio Soares, em Castelo Branco. “No local, populares informaram à guarnição que quatro homens feridos foram socorridos para o Hospital Eládio Lasserre”, destacou a PM, em nota. Ninguém foi preso até o momento.

*com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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