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Economia “O lockdown é um rem

“O lockdown é um remédio muito amargo, mas nós temos que tomar”, diz presidente da Fecomércio Osvaldo Lyra

“O lockdown é um remédio muito amargo, mas nós temos que tomar”, diz presidente da Fecomércio Osvaldo Lyra

01/03/2021 18h24
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Por: Rodrigo Mario Fonte: tarde
“O lockdown é um remédio muito amargo, mas nós temos que tomar”, diz presidente da Fecomércio Osvaldo Lyra

“O lockdown é um remédio muito amargo, mas nós temos que tomar”, diz presidente da Fecomércio

Osvaldo Lyra

  
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O presidente da Fecomércio-Bahia, Carlos Andrade, diz que medidas de restrição, como o lockdown, são “um remédio muito amargo para o comércio”, mas que não há alternativa nesse momento, “nós temos que tomar”. Para ele, a abertura planejada é a solução. Além, da ampliação da frota de transporte público e a reabertura dos hospitais de campanha, que são imprescindíveis para a fase atual da pandemia. Questionado sobre o assunto, o dirigente da Federação diz que “o pouco crédito disponível para o setor é difícil de ser acessado” e pede atenção do poder público e da própria população para evitar a propagação do coronavírus. Confira:

Presidente, estamos entrando na fase mais crítica da pandemia. Como o senhor avalia a fase atual?

Olhe, nós entendemos que essa fase da pandemia é uma fase crítica. Os números que estão sendo apresentados pelo governo do estado e pela prefeitura são preocupantes. Nós, da Federação, estamos trabalhando muito em conjunto com o CDL, a FCDL, bem como a Associação Comercial. Nós estamos sempre trabalhando, as quatro entidades que representam o comércio juntas. E nós entendemos que nesse momento os números não são favoráveis. Nós entendemos que, por precaução, o governador e o prefeito, em comum acordo, fizeram reuniões conosco via web, e disseram que, no nosso ponto de vista, nós entendemos que o lockdown não é o caminho. O caminho é fazer o preventivo. Mas, pelos números que estão apresentando, até concordamos em fazer um planejamento, digamos assim. Fechar 17h, depois 18h, depois 20h, hoje na sexta-feira, e sábado e domingo o comércio fechar. Para o comércio não é nada bom. É complicado. Então para o comércio, o serviço, e o turismo, que são as entidades, os segmentos que nós representamos, não é nada bom. Contudo, eu acho que nesse momento é o único remédio. O lockdown é um remédio muito amargo para o comércio, mas nós temos que tomar.

A Fecomércio prevê um prejuízo diário na ordem de R&70 milhões no varejo baiano com o fechamento das atividades não essenciais só esse final de semana. Esse é um cenário que preocupa, presidente?

São R$70 milhões por dia. O prejuízo que o comércio vai ter diariamente é de R$70 milhões. Nós entendemos que é o preço que nós estamos pagando pela pandemia. Todo mundo tem a cota de sacrifício. O lockdown é um remédio muito amargo para o comércio, mas nós temos que tomar. primeiro preservando a vida, que é a coisa mais importante que nós temos. Depois da vida, nós entendemos que são os empregos que nós preservamos, e depois os nossos CNPJs. Nós precisamos preservar as nossas empresas também. Agora, entendo que hoje há pouco investimento na infraestrutura por parte do estado, que fechou algumas unidades, fechou a Fonte Nova. Nós todos pensávamos que a pandemia tinha passado, não é? E não foi diferente para o estado. O Wet’n Wild, a Fonte Nova, alguns hospitais. Nós entendemos que a dificuldade é para todos nós. Inclusive a infraestrutura do interior. Cidades como Feira de Santana, Camaçari, podiam ter uma infraestrutura melhor para que todo mundo não viesse para Salvador. Se o estado fosse mapeado e o pessoal de Amargosa, eu por exemplo sou de Amargosa, tivesse uma infraestrutura boa, não precisava os pacientes de lá virem pra Salvador. Os pacientes de Santo Antônio de Jesus virem pra Salvador. Não precisava disso. Eu acho que nós devíamos ter hospitais regionais que atendessem a população. E lógico que como não tem essa infraestrutura vem todo mundo para a capital e a população de Salvador é altamente prejudicada. Eu acho que o governador e o prefeito estão trabalhando em cima dos números de hoje e essa é a nossa dura realidade.

A gente tem como primeira medida o toque de recolher e essa paralisação nesse primeiro final de semana. O senhor e o comércio temem o fechamento por um prazo maior, como aconteceu na primeira fase da pandemia?

Nós do comércio não queremos nem pensar nisso. Seria um caos. Porque nós estamos vivendo um período de lockdown grande, esperamos chegar janeiro numa condição melhor, fevereiro está acabando hoje e a coisa está piorando. Os números estão piorando. Eu ainda insisto em dizer que faltou planejamento para que hoje nós tivéssemos uma situação melhor... Não complicar a vida do comércio. Porque, volto a ressaltar, a importância da vida, a importância dos empregos que nós perdemos durante esse ano, e a quantidade de empresas fechadas foi um absurdo. Nós entendemos que, em cima disso tudo, nós não queremos nunca o comércio fechado. Para nós está sendo difícil, mas nós temos que absorver, porque os números que o governo está apresentando e as prefeituras estão apresentando são realmente preocupantes. Nós estamos preocupados

A gente tem aí empresas que já fecharam, outras que estão prestes a fechar, além de um aumento no número de desempregados. Essa é uma conta difícil de equacionar, presidente?

Com certeza. Eu digo sempre que “nós”, entidades, temos pedido junto ao Governo Federal, o Ministério da Economia que liberasse recursos para o comércio. Mas o que chegou de recurso foi muito pouco. Foi um recurso pouco distribuído. E prejudicou por demais a pequena e a micro empresa. Eu acho que o Governo concentrou os recursos em todos os bancos e aquele socorro emergencial que o Governo deu ocupou muito os bancos, e as empresas praticamente, no caso a Caixa Econômica Federal tentou ajudar e ajudou muito, esses recursos que irrigaram bastante o mercado, mas não chegaram para o pequeno, micro e médio empresário. Esse foi o feedback que nos foi dado pelo Sebrae Bahia, dizendo dessa dificuldade nossa. O pouco crédito disponível para o comércio é difícil de ser acessado. A demanda por crédito é tão pequeno para o micro e pequeno empresário... Apesar de o governo ter liberado em torno de R$3 bilhões para a Bahia. eu acho que atendeu a 30% das empresas. Infelizmente foi assim. As empresas maiores receberam mais e as pequenas, médias e micro muito menos.

O Fórum Empresarial da Bahia divulgou uma carta manifesto com o posicionamento do setor para essa pandemia e se colocando, inclusive, à disposição para poder contribuir. O que essas entidades disseram nesse documento?

Olha, o setor do comércio é um setor muito pulverizado. Se você olhar aquela relação, inclusive essas quatro entidades que eu lhe falei, a Federação do Comércio, a Associação Comercial, o CDL e a FCDL estão naquele documento. E várias outras entidades. O Fórum é uma entidade mais abrangente. A carta que nós fizemos anteriormente à carta do Fórum, no dia 22, é semelhante. O que nós queremos é o seguinte, mostrar que o lockdown não é o problema. Eu acho que a abertura planejada do comércio é a solução. Por tudo que eu já lhe expus, quero dizer o seguinte: a nossa população, nos shoppings ou nas lojas, estão seguindo os protocolos, cumprindo tudo e isso é muito mais importante, está muito mais segura do que a população que estiver, digamos, em bares, soltos, em aglomerações, e no comércio informal.

Que medidas o senhor considera importantes serem colocadas como prioridade nesse momento?

Eu acho que a ampliação da frota de transporte público e a reabertura dos hospitais de campanha são imprescindíveis. O planejamento e a disciplina de horário do transporte coletivo eu acho que é muito importante também. A abertura do comércio, digamos, abrindo 8h, 9h e 10h, para ter um fluxo menor, mais pulverizado do metrô e dos ônibus. E entendemos também que esses hospitais de campanha, se nós tivéssemos 8, 10, 15 hospitais de campanha numa cidade como Salvador, eu acho que seria providencial. Tanto é que nós estamos vendo o governo já tentando reabrir a Fonte Nova. Eu acho que não deveria nem ter sido fechada, mas já que fechou, o governo agora já está providenciando abrir o mais rápido possível. Agora, a gente tem que levar em consideração que abrir uma unidade com 120, 150 leitos não é de uma hora para outra. Tem que entender que precisa de médicos, de enfermagem, uma infraestrutura que não se faz em 2, 3, 4, 5 dias. Nós temos que ter esse planejamento e eu tenho certeza que o governador e o prefeito estão trabalhando juntos.

O Fórum prevê também a criação de um comitê que envolva tanto o poder público quanto a iniciativa privada. Deve haver mais diálogo?

Eu tenho certeza disso. Eu acho que o caminho melhor é o diálogo entre todas as entidades representativas do comércio e os governos. Isso é fundamental. Quando a gente dialoga, a coisa fica muito mais fácil. O diálogo é a arma do homem. Em qualquer situação. E em uma situação dessa de pandemia deve ser preponderante. Nós somos totalmente contra o radicalismo de A, de B ou de C. Nós somos a favor do diálogo e com o governador, com o prefeito, nós temos tido esse diálogo. Com o prefeito, principalmente.

A gente tem aí o fim do auxílio emergencial que, durante muitos meses, foi a principal fonte de renda de uma parcela considerável da população. Preocupa a demora em ter uma solução para o pagamento desse auxílio, presidente?

O governo Bolsonaro anunciou que vai liberar 4 parcelas de R$250 no mês de março, abril, maio e junho. E o ministro da Economia, Paulo Guedes, já concordou. É a única saída que tem e é tímida. Uma saída tímida de R$250 por mês. Mas ajuda. Antes pouco do que nada. Nós entendemos que é muito importante. Se teve uma coisa que sustentou o comércio durante esse ano foi a ajuda que começou com R$600, depois passaram para R$300, mas foi o que manteve vivo um grande número de empresas, principalmente as pequenas. Agora, nós não vamos depender, o Governo vai ter dinheiro a vida toda para manter isso? Nós temos que buscar soluções, que nós tenhamos soluções de curto prazo, médio prazo e longo prazo para que o comércio, o serviço e o turismo não sofram esse lockdown. A gente não está preparado para isso. Por mais 1 mês, ou 1 semana ou 1 fim de semana, nós não estamos preparados para isso.

O senhor acredita que o Governo Federal poderia ajudar mais tanto a população quanto o setor produtivo?

Olha, a população, se for abrir os cofres, eu acho que precisaria. Agora, a gente tem que ver o lado econômico. O Governo Federal tem caixa para isso? Eu acho que às vezes precisa desse planejamento. Se gasta dinheiro com tantas outras coisas, principalmente agora na eleição, atendendo A, B ou C, mas eu não quero entrar no mérito da questão. Eu só falo do comércio. Eu não me posiciono politicamente. Eu acho que nós, volto a reforçar com você, as quatro entidades, estamos alinhadas naquele princípio básico da saúde, de manter o emprego e manter nossas empresas vivas. E para isso tudo nós precisamos ter o mais importante: o diálogo. Agora, a gente não esperava esse lockdown. Infelizmente não esperávamos. Mas o vírus não avisa que vai chegar, não é? Vai chegando e vai destruindo, infelizmente.

Que pauta o senhor acredita que deva ser colocada como prioridade pelo Planalto e pelo Congresso nesse momento?

Olha, nós precisamos das reformas hoje administrativas, que eu acho que nós estamos com a administração do país priorizando às vezes muitos setores que ganham muito e produzem pouco; e a reforma tributária. Nós temos esses dois aspectos de suma importância, as duas reformas, que nós que acompanhamos esses dois últimos anos vimos que não evoluíram. Houve uma desavença ideológica entre a Câmara, entre o Congresso, ou seja, entre o Senado e a Câmara e o Legislativo e o Executivo. Houve essa (? 22:15), cada um interpretando de um jeito. O que nós queremos e pedimos é que haja entendimento entre os três poderes. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Porque quando os três poderes não se entendem, quem paga a conta é a sociedade. E é o que nós estamos vendo.

 
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