Sobre o ‘Kit-Covid’, pneumologista de SAJ aponta: “os pacientes que usaram não adiantou absolutamente nada”

Dr. Almério Machado, pneumologista de Santo Antônio de Jesus/BA - Foto: Voz da Bahia

O pneumologista Dr. Almério Machado que atende no hospital Incar em Santo Antônio de Jesus esteve presente no programa Meio-Dia e Meia na Live do Voz da Bahia e abordou principalmente como tratar as sequelas de quem se contaminou com a Covid-19.

Inicialmente, o especialista revela que nas últimas três semanas os números de casos da Covid-19 aumentaram impressionantemente, “o que me parece também é que o agravamento da doença aumentou gradativamente, além da mortalidade e das complicações associadas a doença tem sido extremamente elevadas, inclusive, às sequelas tem sido graves, tanto a curto, como a moderado prazos, claro que ainda não tem anos para observar esses pacientes, mas nesses meses nós temos visto muitos pacientes com sequelas pulmonares, neurológicas, psicológicas entre outras”, releva.

 

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Além disso, tratando-se do tema sequelas, Dr. Almério explica que o coronavírus causa uma inflamação pulmonar no qual pode trazer vários problemas no pulmão, “muitas dessas fibroses são irreversíveis e isso vai trazer consequências a longo prazo ao paciente, sobretudo, sequelas funcionais no fazer exercícios e atividades diárias como tomar banho, trocar de roupa, arrumar a casa, isso pode trazer consequências seríssimas, uma incapacidade muitas vezes temporárias e outras até definitivas. É claro que a gente ainda não tem tempo para dizer se esses pacientes irão ficar anos assim porque sabemos que o histórico da Covid aqui no Brasil é de um ano, então, não tem tempo para dizer se isso vai durar permanentemente, mas alguns pacientes que nós observamos entre 6 a 8 meses tem sequelas e que em alguns meses estão melhorando, já outros estabilizaram numa fase muito grave”, explicou.

Durante a entrevista ao Voz da Bahia, Dr. Almério é questionado sobre pacientes que relatam sentir constantemente cheiro de cigarro após a contaminação, o mesmo se diz surpreso com o cheiro específico do cigarro, mas relata que já ouviu de pacientes reclamarem sentir o mau cheiro por algum tempo, mesmo após a cura da doença, “eu tenho uma paciente, por exemplo, que está com o olfato aguçado, segundo ela, é possível sentir o cheiro de um iogurte com a geladeira fechada. Ela também está com hiperplasia, ou seja, ela está ouvindo demais, então ela consegue ouvir ruídos distantes e essa também é novo pra mim, eu não conhecia esse sintoma de hiperacústica é hiperosmia. Não sei se isso é temporário ou definitivo. Isso tudo são sintomas neurológicos, outros sintomas são irritabilidade, distúrbio da cognição da memória, esses sintomas podem durar vários meses, três, quatro meses às vezes, volto a dizer, a gente está no período de avaliação, nós não temos um ano de pandemia do Brasil, então não dá para dizer como todos os sintomas vão se comportar ao longo dos meses e anos”, assegurou.

Dr. Almério assevera que falta de ar também é uma das decorrências que muitos pacientes pós Covid se queixam, “essa sequela respiratória vai depender muito da extensão da lesão inicial do pulmão, se o paciente necessitou de ventilação mecânica, quanto tempo ele ficou na ventilação? Quanto ele necessitou de oxigênio durante a ventilação mecânica? E também da extensão, ou seja, do campo pulmonar envolvido? Geralmente isso é determinado pela tomografia computadorizada, então consideramos que é grave, acima de 50 ou 75%, acima de 75% é gravíssimo de comprometimento pulmonar, geralmente, os pacientes vão para ventilação mecânica vai depender muito da lesão inicial a qual ele passou”, esclarece.

O cansaço constante é um dos sintomas mais comum pós-Covid, afiança o pneumologista, “é comum os clientes se queixarem da astenia; o que é? Uma fraqueza, uma indisposição intensa, isso é muito comum e é uma queixa de quase 80% dos pacientes, outra queixa é a transpiração, eles afirmam que acordam de noite com a cama encharcada de suor, então é muito comum” relata.

Desde quando se iniciou a pandemia no Brasil e no mundo, o oxímetro tem sido um dos aparelhos mais recomendados por médicos e usados por pacientes que tem ou até mesmo se contaminam com a covid-19. O médico do Incar ilustra que o oxímetro trata-se de um aparelho portátil que tem sido muito útil para identificar pacientes com lesão pulmonar da Covid, “ele mede a quantidade de oxigênio transportada que é a saturação de oxigênio, significa que a hemoglobina que é transportada no sangue está saturada, ou seja, estão com oxigênio, então com 95, ou acima, é normal. Esse aparelho é muito útil para a gente acompanhar o paciente porque quando a saturação está baixa é preocupante e, sobretudo abaixo de 90 não é permitido. O detalhe é que o oxímetro deve ser utilizado com as mãos aquecidas, não com as mãos frias, a mão não pode estar tremendo, o ambiente não pode ter muita luz, são as condições primeiro para você ter uma boa leitura do oxímetro”, expõe.

O pneumologista foi questionado sobre o uso de medicamentos como forma de prevenção e diminuição do agravamento do coronavírus. Segundo ele, inúmeros pacientes no qual tratou usaram essas medicações e não tiveram efeito algum, ” os pacientes que usaram tudo isso não adiantou absolutamente nada, não serviu para nada, é claro que eu só vejo os pacientes que me procuraram porque não funcionou, então eu tenho uma visão deturpada. Mas todos aqueles que usaram tudo isso: Azitromicina, Hidroxicloroquina, Anitta (remédio para verme), nenhum deles que eu atendi, vi qualquer resultado. Eu não prescrevo isso, a maioria dos pacientes que chegam até mim já usaram isso sem a minha vontade, muitos insistem que passem e eu confesso aqui que alguns pacientes eu já cedi porque a gente fica na dúvida se é pneumonia viral e tem uma bactéria associada, às vezes a gente coloca realmente até porque a toxicidade da Azitromicina é bem menor e mais previsível, mas de verdade, não funciona”, alerta.

O pneumologista afirma que a reabilitação pulmonar é de grande importância assim como a reabilitação física, psicológica, cardíaca e neurológica, “todas essas lesões devem ser acompanhadas e tratadas. O grupo do Incar está montando um serviço para isso, está todo preparado para acompanhar esses pacientes dessa região do recôncavo baiano e acredito que isso é extremamente importante”, pontuou