Domingo, 07 de Junho de 2020 07:52
75 98846-8150
Geral NEGACIONISMO DE BOLS

NEGACIONISMO DE BOLSONARO E A DEMISSÃO DO MINISTRO NELSON TEICH

NEGACIONISMO DE BOLSONARO E A DEMISSÃO DO MINISTRO NELSON TEICH

19/05/2020 17h08
136
Por: Rodrigo Mario Fonte: secom Dr. Luciano
NEGACIONISMO DE BOLSONARO E A DEMISSÃO DO MINISTRO NELSON TEICH

NEGACIONISMO DE BOLSONARO E A DEMISSÃO DO MINISTRO NELSON TEICH.

 

Por Luciano Lima*

 

Até pouco tempo atrás, quando, num debate não cientifico, buscávamos sustentar uma afirmação sem argumentar muito, bastava dizer: “é comprovado cientificamente.”

 

Mas essa tática já não tem mais a mesma eficácia, pois a confiança na ciência vem sendo atacada sistematicamente. E essa confiança parece estar diminuindo.

Experimentamos hoje um clima de ceticismo generalizado, uma descrença nas instituições, que favorece a disseminação de negacionismos, encampados por governos com políticas e discursos deliberadamente anticientíficos.

É o caso de Donald Trump, que está tirando os Estados Unidos do Acordo de Paris, pelo qual quase duzentos países haviam se comprometido em 2015 a tentar conter os prejuízos causados pelo aquecimento global; e de Jair Bolsonaro, que também comanda um governo contrário às ações para combater a mudança climática, a preservação ambiental, as queimadas, a invasão das terras indígenas, o Coronavírus etc.

Pesquisas recentes confirmam que essa crise de confiança atinge ao mesmo tempo, a ciência e a política.

Esse fenômeno negacionista, no qual fatos objetivos têm menos influência na opinião pública, do que crenças pessoais, é um sintoma extremo dessa crise.

 

Muita gente não enxerga que a ciência, assim como a política, existe para beneficiar a sociedade.

 

Esse desencanto produz um terreno fértil para movimentos anticiência, para as teorias da conspiração e os movimentos extremistas.

Essa “pós verdade”, não designa apenas o uso oportunista da mentira. Esse comportamento sinaliza, um ceticismo quanto aos benefícios das verdades e suas evidencias factuais apresentadas na argumentação cientifica.

 

Diante disso, contradizer argumentos falsos exibindo fatos reais pode ter pouca relevância em uma discussão. Especialmente, porque os negacionistas estimulam a passionalidade nos embates teóricos.

Evidências e consensos científicos têm sido facilmente contestados com base em convicções pessoais ou

experiências vividas. Reprisando o histórico confronto entre racionalismo e empirismo. Entre o cientifico e o sensorial.

No mundo todo - mesmo nas nações mais ricas - as pessoas vêm manifestando uma confiança apenas moderada na ciência.

 

Nos países como o Brasil, 54% dos habitantes confiam medianamente na ciência. Esse resultado foi obtido pelo Wellcome Global Monitor, um levantamento britânico de 2018 que investigou como a população de mais de 140 países se posiciona em relação a questões de ciência e saúde.

 

Um dos resultados mais interessantes é a correlação entre a desconfiança na ciência e o descrédito de outras instituições.

 

Aqueles, segundo a pesquisa, quem duvidam do conhecimento científico geralmente desconfiam também dos governos, das Forças Armadas ou da Justiça.

 

Admitir uma verdade científica sobre a pandemia em curso, implica em transformações radicais no sistema de saúde, na

economia e na política, o que impõe rever atitudes já cristalizadas em nossos modos de vida.

Hábitos de consumo e de locomoção, padrões alimentares, perspectivas de futuro, interações sociais, tudo isso precisa mudar. Mas como convencer as pessoas de que algum sacrifício vale a pena sem oferecer a elas garantias de que todas essas

Que poderão trazer a solução para um problema universal como a Covid-19?

Sem enxergar benefícios tangíveis em suas vidas cotidianas, aqui e agora, as pessoas provavelmente continuarão desconfiadas. E a negação pode se tornar uma alternativa tentadora. Sobretudo porque o negacionismo não se apresenta como tal, e sim travestido de polêmica.

Há cerca de três décadas, uma ação concertada de organizações negacionistas, patrocinadas pela indústria do petróleo, tenta contestar verdades produzidas pela ciência do clima.

O mesmo tipo de propaganda já tinha sido usado pela indústria do cigarro, nos anos 1950, ao tentar disfarçar como polêmica o consenso científico sobre as doenças causadas pelo tabaco.

Seria exagero dizer que movimentos anticientíficos estejam ganhando o debate. Mas seria também um autoengano, por

outro lado, negligenciar o quanto eles têm minado consensos sobre agendas e políticas públicas.

Embora venha sendo fomentado há tempos, o negacionismo ganhou espaço inédito em governos de extrema direita ao redor do mundo.

Obviamente, o caráter oficial amplifica seu poder de convencimento. Só que esses governos contam com um apoio razoável da população, que parece não se incomodar com afirmações e atitudes flagrantemente anticientíficas de seus líderes. Bolsonaro é um exemplo disso.

Certo é que essa “anticiencia” decorre de interesses econômicos – ou de política econômica - conforme inclusive, tem se manifestado o Presidente Bolsonaro, que propõe uma falsa dualidade.

Como conciliar ciência com economia? Saúde com emprego?

Diríamos, mais adiante: Bolsonaro com a medicina? Presidente com o ministro da saúde? Não há dualidade nesses assuntos. Há apenas um falso e desonesto debate negacionista.

As manifestações de Bolsonaro demonstram uma tentativa de interferência política: na ciência (assim como o fez na Policia Federal), nos receituários médicos e nos protocolos terapêuticos. Acabou em demissão.

Nelson Teich, não era um ministro compassivo. Era frio e nada eloquente. Tudo o que interessava ao Presidente negacionista. Mas Teich é médico. E, como tal, tem a ciência como referencia. Não poderia assinar o novo protocolo da utilização Cloroquina/hidroxocloroquina (procedimento que certamente será questionado judicialmente), sem base cientifica.

O ex-ministro sabe que caso concordasse com essa mudança terapêutica, acabaria por responder perante o Conselho Federal de Medicina.

Teich, sabe também da importância do distanciamento social. Fez a sua escolha. Confrontou o negacionismo. Pediu para sair. Ou lhe foi solicitado que pedisse. Mais honra para ele, e menos desgaste para Bolsonaro, que não precisou demiti-lo.

Nelson não sobreviveu a duas quarentenas (28 dias) e também não deixa saudades ou lembranças, senão, pelo compromisso com o seu juramento de Hipócrates e pelo agravamento da terceira crise.

Não obstante as crises sanitária e econômica (comum a todos os países e nações), o Brasil enfrenta uma crise política, agudizada pelas recentes mudanças ministeriais.

Impressionante o número de ingredientes da atual crise:

Instabilidade institucional, interferência na Policia Federal, negacionismo cientifico, Coronavirus, Cloroquina, Hidroxocloroquina, Distanciamento Social, ofensa ao pacto federativo. Tudo junto ou misturado. Aquecido o forno, está posto o cenário perigoso para um CAKE denominado Impeachment.

Certamente, antes disso, será escolhido outro ministro da saúde. Bolsonaro tem disponível no mercado excelentes médicos, mas tem sido alertado que nenhum, de renome, aceitaria manchar a sua biografia, para ajudar a “salvar” esse agonizante governo.

 

Que Deus nos livre de TODOS esses VIRUS.

 

Luciano Lima

Advogado, Pós-Graduado em Direito, Professor de Direito Civil e Processual Civil. Mestrando em Ciências Jurídicas e Ciência Política, pela Universidade Infante Dom Henrique. Consultor

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Bastidores da Política
Sobre o Bastidores da Política
Tudo sobre política.
Valença - BA
Atualizado às 07h45 - Fonte: Climatempo
22°
Poucas nuvens

Mín. 22° Máx. 30°

22° Sensação
1 km/h Vento
97% Umidade do ar
90% (15mm) Chance de chuva
Amanhã (08/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 23° Máx. 29°

Sol e Chuva
Terça (09/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 22° Máx. 29°

Sol com muitas nuvens e chuva
Anúncio