
Operação Colina apura manipulação irregular de perícias médicas e possível prorrogação indevida de benefícios previdenciários em Salvador, Nazaré e Vera Cruz
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), uma operação de combate a supostas fraudes previdenciárias envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Bahia. Batizada de Operação Colina, a ação teve como alvo um esquema suspeito de manipulação de procedimentos administrativos relacionados à concessão e manutenção de benefícios por incapacidade, com cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Nazaré e Vera Cruz. As ordens judiciais foram expedidas pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia.
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta indícios de atuação irregular dentro do sistema previdenciário, envolvendo a remarcação indevida e sucessivos adiamentos injustificados de perícias médicas obrigatórias. A suspeita é de que essas alterações tenham sido realizadas de forma deliberada para impedir a avaliação presencial de segurados por médicos peritos do INSS, favorecendo, assim, a continuidade ou a prorrogação irregular de benefícios previdenciários por incapacidade.
De acordo com informações divulgadas pela corporação, um servidor público lotado em Salvador é investigado sob suspeita de inserir informações falsas e realizar mudanças indevidas em sistemas informatizados ligados à Previdência Social. A Polícia Federal apura se as irregularidades ocorreram de maneira sistemática e se outras pessoas participaram do esquema, incluindo possíveis intermediários e beneficiários favorecidos pelas supostas fraudes.
As investigações tiveram início após levantamentos realizados pela Coordenação de Inteligência Previdenciária do Ministério da Previdência Social (COINP/MPS), que identificou inconsistências consideradas atípicas nos processos de agendamento e realização de perícias médicas. A partir da análise técnica, surgiram indícios de movimentações incompatíveis com os procedimentos regulares adotados pelo INSS, o que levou à abertura do inquérito e ao aprofundamento das diligências conduzidas pela Polícia Federal.
Durante a operação, agentes federais recolheram documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que poderão auxiliar na identificação de provas, além de ajudar a esclarecer a extensão do esquema investigado e o possível prejuízo aos cofres públicos. Até o momento, a PF não informou prisões relacionadas à operação nem divulgou oficialmente os nomes dos investigados.
Ainda conforme a corporação, os envolvidos poderão responder por crimes relacionados à inserção de dados falsos em sistema informatizado da administração pública, além de outras infrações eventualmente identificadas no decorrer das investigações. A Polícia Federal ressaltou que o inquérito segue em andamento e que novas medidas não estão descartadas, a depender da análise do material apreendido e do avanço das apurações.
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